Os Shapers de Portugal
Quem faz as pranchas que a costa atlântica produz.
Os Shapers de Portugal
Quem faz as pranchas que a costa atlântica produz. Quatro nomes, quatro filosofias, uma costa que mudou para sempre o surf europeu.
Porquê esta página existe
O Portugal de 2026 é uma das capitais mundiais do surf. Ericeira é Reserva Mundial, Nazaré é o destino de big-wave mais conhecido do planeta, Peniche acolhe etapas do circuito mundial. Mas o que sustentou essa transformação — e continua a sustentá-la — não foram os hotéis, nem as escolas de surf, nem o turismo. Foram os shapers. As mãos que dão forma às pranchas que os surfistas portugueses e estrangeiros usam todos os dias.
Esta página é a nossa verificação independente de quem importa, porquê, e o que cada um faz de diferente. Não cobramos comissão por inclusão. Não temos shapers parceiros. Esta lista é editorial.
Semente Surfboards — A mais antiga (Ericeira, desde 1982)
Em 1982, quando Nick Uricchio e Miguel Katzenstein fundaram a Semente em Ribamar, Ericeira, a vila ainda não tinha escolas de surf, parque de campismo, nem turismo. Tinha apenas ondas perfeitas e um punhado de pioneiros. A escolha geográfica era um handicap — quase ninguém vivia na zona, e os clientes potenciais vinham de Lisboa ou Cascais em viagens longas por estradas más.
Nick chegara da Califórnia em 1979, depois de uma viagem de mochila pela Europa, e fundara em Costa da Caparica a Lipsticks Surfboards, uma das primeiras fábricas portuguesas. A Semente foi o passo seguinte — uma marca cujo nome significava o que viria a tornar-se literalmente: a semente do surf nacional.
Quarenta e quatro anos depois, a Semente continua activa, ainda dentro da única Reserva Mundial de Surf da Europa, ainda fiel à abordagem artesanal. Continua a trabalhar com surfistas de topo portugueses e internacionais. É, simplesmente, a marca-mãe.
Polen Surfboards — A maior fábrica (Cascais, desde 1988)
Se a Semente é a mais antiga, a Polen é a maior. Fundada em 1988 por Álvaro Costa, é hoje a maior fábrica de pranchas de Portugal e a casa europeia de várias marcas internacionais de alta performance — Pyzel, Timmy Patterson, Stretch, Stewart e Akila Aipa produzem em Cascais.
Álvaro Costa nasceu em Angola, cresceu em Recife, e fixou-se em Portugal em 1986 quando vinha de passagem para a Austrália. A Polen passou por momentos difíceis — incluindo um relançamento em Costa da Caparica num anexo da casa da avó do sócio Nuno Matta — antes de consolidar em Cascais a partir de 2010. Os shapers actuais Paulo do Bairro e Nuno "Surdo" Cardoso estão entre os mais respeitados do país.
O que faz a Polen única não é apenas a escala — é o facto de surfistas como John John Florence terem ganhado provas do circuito mundial com pranchas produzidas na fábrica de Cascais. Made in Portugal, surfado no mundo.
Fatum Surfboards — A artesanal (Peniche, desde 1998)
Gero Tragatschnig é alemão. Cresceu em Münster, começou a fazer pranchas na ilha de Sylt no Mar do Norte, e em 1996 veio para Portugal para treinar a equipa de Sebastian Wenzel em Guincho. Em 2000 fixou-se em Peniche e estabeleceu a Fatum num modelo simples: dar a cada surfista a melhor prancha possível, sem escala industrial.
Mais de 14.000 pranchas depois, a Fatum é uma das marcas mais consolidadas da Europa, mas Gero insiste em manter a operação pequena e pessoal. Tudo é feito in-house, com equipa próxima. Quem encomenda uma Fatum custom passa a fazer parte do que ele chama "a família Fatum" — não é marketing, é como o negócio funciona.
Mica Surfboards — A custom pura (Ericeira)
A Mica representa a abordagem mais purista entre os shapers nacionais. Cada prancha é feita à medida, ajustada ao surfista e às ondas que ele mais surfa. Está sediada em Ericeira, dentro da Reserva Mundial, e mantém uma operação totalmente artesanal — desde a escolha do foam até ao acabamento final.
Não é a marca com mais visibilidade nem com maior produção. É a marca com maior personalização. Para o surfista que quer uma prancha desenhada especificamente para a sua técnica, peso, nível e onda preferida, a Mica é o nome.
Outras fábricas notáveis
O ecossistema português inclui ainda dois nomes industriais relevantes que vale conhecer:
- PSF (Sintra) — fábrica focada em produção para marcas internacionais, incluindo nomes associados ao big-wave.
- Surfactory (Ovar) — produção em larga escala, marcas próprias e internacionais.
Como verificamos esta página
Toda a informação acima foi cruzada com sites oficiais de cada shaper, com a publicação A Magazine, com a revista ONFIRE Surf Mag, e com o guia de shapers do Board Exchange. Datas, nomes e localizações estão verificadas. Se encontrar erro factual, escreva para [email protected] — corrigiremos publicamente.
Não recebemos comissão por nenhuma das marcas listadas. Este conteúdo é editorial. Para detalhes, ver Metodologia Editorial.